O que fazer pro resto da vida? Não sei!

17.8.17

Aviso logo que se você que está lendo tem entre 17 e 30 anos, é provável que se identifique muito com o que vou falar.
Quem ao final do ensino médio não perdeu as contas de quantas vezes ouviu a famigerada pergunta "Vai prestar vestibular para qual curso?" ou "Já decidiu o que vai fazer?". Se não perdeu as contas, sorte sua, porque eu perdi antes mesmo de chegar ao segundo ano do EM.
Já notaram que a gente mal sai das fraldas e já tem uma pressão enorme nos nossos ombros pra decidirmos o que vamos fazer para o resto de nossas vidas? E ai de você se não acertar de primeira! Um desperdício!!!
Não, eu não estou dizendo que você tem que ficar sem fazer nada depois do 3° ano, curtindo dez anos sabáticos até encontrar seu eu profissional interior, não é isso... Mas você concorda que se a gente não tem plena certeza do que quer fazer desde os quinze anos de idade, mais ou menos, todo mundo já te olha como se fosse um fracasso garantido? Quando na verdade, escola nenhuma está nos preparando para uma vida adulta, para saber realmente o caminho que vamos seguir. Estão passando o conteúdo do currículo obrigatório exigido pelo MEC pra que todo mundo tenha uma nota razoável no ENEM e então poderem ostentar para inglês ver que os índices estudantis brasileiros são maravilhosos.
A escola não me preparou pra vida adulta, nem a faculdade fez isso pra ser sincera!
A real é que você, nem eu, devíamos ser obrigados a saber desde sempre de onde vamos tirar sustento daqui a 30 anos! E tudo bem se você não souber! Eu acho mais que válido que a gente não pare de aprender nunca, que sempre busque cursos dos mais variados porque conhecimento agrega, e nunca é demais, mas caramba! Eu não sabia o que queria fazer há dez anos atrás (é, tem esse tempo todo que eu terminei o ensino médio, pasmem) e continuo sem saber até hoje! E dane-se!
Vou resumir minha historinha de "escolha de carreira" pra vocês...
Eu sempre fui uma aluna esforçada, sempre fui do tipo cdf com boletim inteiro com notas azuis. Sempre tive facilidade com números, e embora tirasse muitos 10 em português também, o povo só prestava atenção nas notas de matemática e física (que todo mundo na minha idade odiava) e diziam desde sempre: "Você tem que ser engenheira", "Você devia tentar o ITA ou IME" (na boa, nunca me achei nesse nível, não era gênio dos números... só decorava as fórmulas e prestava atenção pra ter certeza que não estava errando o cálculo).
Acabei o ensino médio e fui matriculada no cursinho já com a frase "Vai prestar para Engenharia" e lá ia eu fazer as aulas discursivas de física e matemática, que eram a cada dia mais desesperadoras. Respirei fundo e faltando semanas para as inscrições do vestibular fecharem eu disse pra família: "Não sirvo pra ser engenheira, não quero, vou fazer Matemática e dar aulas". Nessa hora todo mundo me abraçou e disse que apoiava a minha decisão e o que importava era eu estar tranquila quanto a isso... só que não! A realidade é que fizeram praticamente uma acareação pra me convencer de que aquilo era loucura e que eu devia escolher outra coisa, que se eu fizesse matemática eu ia passar fome. Lembro que chorei por horas a fio naquela noite porque nunca me senti não frustrada e castrada quanto naquele dia.
Pensei em mudar para psicologia, que eu tinha afinidade, mas não tinha me preparado para as matérias específicas (naquela época, cada curso tinha duas provas discursivas que eram afins à área. Engenharias geralmente eram física e matemática enquanto psicologia era português e história) e então decidi ir para Arquitetura para aproveitar pelo menos um pouco do que já tinha estudado.
Passei, e passei até com boa colocação, e penei os árduos anos de faculdade, pensando em desistir no meio do caminho seriamente pelo menos três vezes. Me formei com um bom histórico, boa nota no TCC, trabalhei em sociedade com uma das minhas melhores amigas por um tempo e... fiquei frustrada. Me tornei exatamente o que eu mais temia, uma profissional frustrada que não tinha um pingo de paixão pelo que estava fazendo (sem contar que mal dava pra pagar as contas) e resolvi largar tudo, sem ter nem ideia do que ia fazer dali pra frente.
Hoje eu tenho um lindo diploma de Arquitetura e Urbanismo e não, eu não exerço a profissão da minha graduação. Meu trabalho atual é maravilhoso, eu literalmente amo meu emprego, e ele paga as minhas contas, e apesar de usar muitos conhecimentos adquiridos na faculdade, não tem nada a ver com arquitetura. E sabe o que mais? Eu estou infinitamente mais satisfeita comigo mesma do que quando estava atuando na minha área de formação.
Já faz mais de um ano que eu parei de atuar como arquiteta e até hoje encaro olhares MUITO tortos quando digo que não trabalho na profissão pra qual eu estudei.
E quando me perguntam de planos futuros a verdade é que eu não sei... Não sei mesmo! Eu tenho vontade de voltar a estudar, de fazer uma segunda graduação, mas também não sei o que quero, e não vou me afobar para escolher logo!
Pra quê eu deveria? Qual a finalidade de ter tanta pressa para escolher o que você quer fazer? Só pra crescer o bolo de profissionais com diploma e que odeiam o que fazem?
Manos e manas, vamos parar um pouco com essa pressão desenfreada... Pais, incentivem seus filhos a descobrir o que eles gostam de fazer e aliar isso a uma profissão. Não os mande ser engenheiros, juízes ou médicos só porque dá dinheiro. De nada vai adiantar ganhar um mega salário e viver frustrado gastando o seu mega salário em terapia porque anda perdido na vida.
Ficou textão, sorry, mas não deu pra escrever menos.

Brigada, Bruna, pela ideia de tema!

  • Share:

You Might Also Like

1 comentários

  1. Show de texto Laiara!

    Vou te dizer que tem gente que até hoje não sabe o que quer ou vai fazer da vida.
    E um conselho para todos cuidado em cair na comodidade é muito difícil sair dela.

    ResponderEliminar

Sua opinião é muito importante!
Deixe aqui que eu vou amar saber!